Livro da Editora Elefante percorre quatro séculos de destruição ambiental – da colonização das Américas à indústria da carne – e aponta: a catástrofe climática é mais um problema de redistribuição de renda do que de uma “natureza humana” predatória. Concorra a exemplares
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Livro da Editora Elefante percorre quatro séculos de destruição ambiental – da colonização das Américas à indústria da carne – e aponta: a catástrofe climática é mais um problema de redistribuição de renda do que de uma “natureza humana” predatória. Concorra a exemplares
Arte de Db Waterman | Reproduzida no ITSLIQUIDE não se esqueça! Quem apoia o jornalismo de Outras Palavras garante 25% de desconto no site da Editora Elefante. Faça parte da rede Outros Quinhentos em nosso Apoia.se e acesse as recompensas!
Por décadas, a humanidade foi considerada a protagonista da catástrofe ambiental. Assim, o Antropoceno passou a ser o culpado de todos os males. Contudo, esse gesto intelectual de nomeação distribui a culpa de modo tão amplo que a torna inofensiva.
Se todos somos responsáveis, ninguém é. Se a causa é a “natureza humana”, a política perde seu objeto.

A publicação de Capitaloceno: uma história radical da crise climática, de Francisco Serratos, pela Editora Elefante, chega em um momento em que esse consenso começa a rachar.
Outras Palavras e Editora Elefante irão sortear um exemplar de Capitaloceno: uma história radical da crise climática, de Francisco Serratos, entre quem apoia nosso jornalismo de profundidade e de perspectiva pós-capitalista. O sorteio estará aberto para inscrições até a segunda-feira do dia 12/10, às 14h. Os membros da rede Outros Quinhentos receberão o formulário de participação via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso Apoia.se para ter acesso!
Pelo menos desde Andreas Malm, Jason W. Moore e Donna Haraway que vem sendo feita a pergunta: “quem é o sujeito da catástrofe?”. Porém, Serratos deu à questão contornos historicamente ambiciosos: e se o agente da crise climática não for a espécie, mas um sistema econômico específico, com data de nascimento, beneficiários identificáveis e uma lógica interna de expansão? E se o problema não for “o ser humano”, mas o capital?
Nomear o capital como causa implica afirmar que a crise climática é, antes de tudo, uma questão de redistribuição, ou seja, de quem consumiu o orçamento atmosférico, de quem lucrou com ele e de quem pagará a conta.
Significa também que nenhuma solução técnica, nenhum ajuste comportamental individual, nenhuma transição energética que preserve as relações de poder existentes será suficiente.
Ao substituir “humanidade” por “capital”, Serratos reabre um espaço de conflito que o vocabulário do Antropoceno havia neutralizado; visto que vivemos um momento em que a crise climática vem sendo cada vez mais tratada como fatalidade natural e cada vez menos como resultado de escolhas políticas.
Serratos, que tem doutorado em Literatura e atua na área de humanidades ambientais e estudos animais, usa sua formação para contar como uma série de “conquistas humanas” encobriram histórias de destruição.
Da transição do feudalismo ao capitalismo, passa-se à conquista das Américas e à expansão colonial, à extinção de povos indígenas, à máquina a vapor e aos combustíveis fósseis.
Mas o que distingue o livro de boa parte da literatura climática é a atenção a fios que a narrativa ambiental hegemônica costuma ignorar: a borracha na Amazônia, a guerra do guano, o algodão, a agricultura industrial, o plástico e o “continente sintético”, o neoliberalismo e a indústria da carne.
Por isso, quem espera uma análise teórica sistemática pode sair insatisfeito, por aqui o objetivo do autor não é “vomitar dados”, mas contar “a história humana”.
Há um momento particularmente eficaz em que o entusiasmo corporativo dos anos 1940 com a “revolução” do plástico – a Synthetica, celebrada pela Fortune como um novo mundo material – é justaposto à ilha de detritos no Pacífico, hoje com área duas vezes o Texas.
O livro integra a coleção “Alternativas” da editora, inserindo a argumentação de Serratos em um projeto editorial mais amplo de esquerda ecológica, em diálogo com outros volumes da casa.
Não há na obra uma promessa de que a catástrofe será evitada, nem o consolo de que basta trocar de sistema para que tudo se resolva. O que Serratos oferece são os instrumentos para ler o que está acontecendo a partir de uma espécie de genealogia da destruição que torna visíveis os mecanismos, como a colonização, a extração, o barateamento da vida, que ainda operam no presente.
Para quem espera um programa, é pouco. Mas para quem entende que, antes de qualquer programa, é preciso saber contra o que se luta, a obra é uma fonte valiosa.
Em parceria com a Editora Elefante, Outras Palavras irá sortear um exemplar de Capitaloceno: uma história radical da crise climática, de Francisco Serratos, entre quem apoia nosso jornalismo de profundidade e de perspectiva pós-capitalista. O sorteio estará aberto para inscrições até a segunda-feira do dia 12/10, às 14h. Os membros da rede Outros Quinhentos receberão o formulário de participação via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso Apoia.se para ter acesso!
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